O tokenizador próprio: por que 16 mil tokens servem melhor a este corpus que 50 mil, e o que a tabela inteira mostra
O imposto de não ser inglês, as quatro decisões, e o efeito colateral que não estava no plano.
Caiu aqui pelo LinkedIn? Este é o capítulo 01 do experimento Antevisão · Latent Rehearsal. Dá para ler solto; se quiser o começo, é o capítulo 00.
Um modelo de 7 milhões de parâmetros gastou menos bits que o GPT-2 de 124 milhões em português. Não porque é melhor. O BPE do GPT-2 foi treinado em 40 GB de inglês. Em inglês, 'tion' aparece muito e virou token. 'ção' não. Um texto em português custa 1,6 vezes mais tokens, e cada token custa contexto, atenção quadrática e um passo serial de geração. Treinamos um tokenizador de 16 mil tokens no nosso corpus. Português corrente caiu 47,6%. Português com acentos caiu 73,3%. E aí o nosso mini, 17 vezes menor, ficou abaixo do GPT-2 em bits por caractere em português. Seria fácil anunciar isso e parar aí. Seria desonesto.
Os três pontos
- Vocabulário 3 vezes menor, tabela de embedding 3 vezes menor: 12,9 M de parâmetros viraram 4,2 M só nessa peça.
- Dígitos separados custam 58,3% a mais em texto com números, e são a escolha do Llama, Mistral e Qwen para somar melhor. O benefício em aritmética ainda não foi medido aqui.
- A vantagem existe só onde o tokenizador cobra a diferença e some onde o GPT-2 tem corpus. Em inglês, empata. O que a tabela prova é que tokenização mal ajustada custa mais que 17 vezes de parâmetros.
Da apostila, o começo
Por que 16 mil tokens servem melhor a este corpus que 50 mil, o que ganhamos piorando os números de propósito, e o efeito colateral que não estava no plano.
O BPE do GPT-2 foi treinado no WebText: 40 GB de páginas em inglês. O algoritmo, como vimos no curso anterior, escolhe os pedaços que aparecem muito. Em inglês, tion aparece muito. Em português, ção aparecia pouco naquele corpus — então ele não virou token.
O que a apostila cobre · 5 seções · 7 min
- O imposto que você paga por não ser inglês
- As quatro decisões
- O resultado, medido
- O efeito colateral que não estava no plano
- O que ficou por fazer
Todos os capítulos do experimento · Antevisão · Latent Rehearsal
- 00 · Antevisão: um ELLM, um modelo de linguagem que ensaia no latente antes de falar
- 01 · O tokenizador próprio: por que 16 mil tokens servem melhor a este corpus que 50 mil, e o que a tabela inteira mostra
- 02 · Duas arquiteturas, um arquivo: o duelo justo entre 2019 e o que veio depois
- 03 · A geometria do embedding: o treino começa com um espaço perfeito e o estraga
- 04 · A linhagem do colapso: cinco respostas da visão computacional, cada uma medida em texto
- 05 · O leme e o modelo de mundo: três versões da mesma pergunta, medidas contra a anterior
- 06 · Método e erros: as regras de uma comparação legítima e o catálogo dos nossos enganos
- 07 · Escala e orçamento: quanto custa chegar ao GPT-3, e por que a VRAM quase nunca é o limite
- 08 · A bancada: servir, radiografar e treinar pelo navegador
- 09 · A arquitetura hierárquica: o projeto inteiro alinhado aos quatro padrões do modelo de mundo
- 10 · O que a JEPA é, segundo LeCun: duas falas lidas conceito por conceito, e onde cada um se aplica
- 11 · Memória e horizonte: duas afirmações de LeCun que viraram experimento, e as duas valem para texto
- 12 · Custos aprendidos e modos de inferência: as três buscas e as duas fontes de energia, medidas
- 13 · As correções pelas falas de LeCun: falha, trecho, flag, medida
- 14 · Memória consultada: um banco de estados abstratos lido por atenção
- 15 · O que custa e o que entrega: nós, o GPT-1 e o GPT-2 na única régua que vale entre tokenizadores
- 16 · O mínimo estava fora da lista: o dia em que medi a minha própria busca por energia
- 17 · ELLM: o nome certo para um modelo de linguagem que prevê no latente e decide por energia
- 18 · Procurar melhor não conserta a energia: três buscas, o mesmo texto
- 19 · A inversão que não se repetiu: o custo do modelo de mundo aparece quando a régua para de oscilar
- 20 · O que mudou em 17/09: dois capítulos novos e duas correções

Escreve o curso do GPT-2 e conduz o experimento Antevisão, medindo cada rodada antes de publicar o número. Os posts no LinkedIn começam aqui e terminam nas apostilas.
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