O que custa e o que entrega: nós, o GPT-1 e o GPT-2 na única régua que vale entre tokenizadores
Bits por caractere, o preço de cada treino em dólares, e uma pergunta desconfortável: menos parâmetros, treinado por menos, entrega mais?
Caiu aqui pelo LinkedIn? Este é o capítulo 15 do experimento Antevisão · Latent Rehearsal. Dá para ler solto; se quiser o começo, é o capítulo 00.
"Nosso modelo tem perplexidade 31, o GPT-2 tem 29, então o GPT-2 é melhor." Isso não significa nada. Perplexidade é medida por token, e token não é unidade universal: é uma escolha do tokenizador. O nosso tem 16 mil entradas; o do GPT-2, 50 mil. Comparar os dois por perplexidade é comparar réguas diferentes. A conversão existe e é antiga: bits por caractere. Quantos bits o modelo precisa, em média, para prever o próximo caractere de um texto que nunca viu. Com essa régua, colocamos os nossos modelos, o GPT-1 e o GPT-2 na mesma tabela, com o preço de cada treino em dólares. E o resultado esperado foi escrito antes de ver o número: ir melhor em português e código, e o GPT-2 ir melhor em inglês. Se o nosso for melhor em inglês também, a suspeita cai sobre o teste, não sobre o modelo.
Os três pontos
- A economia de parâmetros está no vocabulário: o nosso maior modelo tem o mesmo corpo do GPT-2 small (12 camadas, 768 dimensões), mas o embedding do GPT-2 é 31% do total, e no nosso mini é 56,6% de um modelo 17 vezes menor.
- A placa mudou a escala do possível: a rodada de 700 passos que leva 25 minutos na CPU leva 40 segundos numa RTX 5090. Treinar o mini com o orçamento de Chinchilla custa US$ 0,03; o grande, US$ 4,28 e 4,8 horas.
- A regra foi escrita antes do número: o texto de teste sai do conjunto de validação, o domínio de cada bloco é decidido por código, e um resultado que favorece quem mede merece mais desconfiança, não menos.
Da apostila, o começo
Todas as apostilas anteriores comparam rodadas nossas entre si. Esta compara com fora: GPT‑1, GPT‑2 e os nossos, na única métrica que vale entre tokenizadores diferentes, e com o preço de cada treino em dólares. A pergunta é simples e desconfortável: um modelo com menos parâmetros, treinado por menos de um dólar, entrega o quê?
A tentação é dizer "o nosso modelo tem perplexidade 31 e o GPT‑2 tem 29, então o GPT‑2 é melhor". Isso não significa nada. Perplexidade é medida por token, e token não é uma unidade universal: é uma escolha do tokenizador. O nosso vocabulário tem 16.392 entradas treinadas neste corpus; o do GPT‑2 tem 50.257, treinadas em texto da web em inglês. A palavra "antevisão" pode virar dois pedaços no nosso e seis no do GPT‑2. Perplexidade por token compara duas coisas que estão contando unidades diferentes — é como comparar consumo de combustível em litros por quilômetro com galões por milha, sem converter.
A conversão existe e é antiga: bits por caractere. Some a log-verossimilhança negativa de todos os tokens de um texto, converta de nats para bits, e divida pelo número de caracteres do texto — não de tokens. O resultado responde a uma pergunta física: quantos bits este modelo precisa, em média, para transmitir um caractere deste texto? Um caractere é a mesma coisa para todo mundo. É a métrica da literatura de compressão, e é a única honesta aqui.
Nada de texto escolhido a dedo. O texto de teste sai do próprio conjunto de validação (model/data/validacao.bin), decodificado de volta para caracteres: blocos de 8.192 tokens que o preparo dos dados separou antes do treino e embaralhou. Nenhum modelo nosso os viu. O domínio de cada bloco — português, inglês ou código — é decidido por uma regra de contagem escrita no código (model/cost_vs_gpt2.py), não por julgamento: marcas estruturais de código, marcas do português, e o resto é inglês.
O que a apostila cobre · 7 seções · 16 min
- A comparação que quase todo mundo erra
- Onde está a nossa economia de parâmetros
- O que a placa mudou
- O orçamento de Chinchilla, e o corpus que ele exige
- A escada, medida
- Bits por caractere: nós, o GPT‑1 e o GPT‑2
- O que a Antevisão acrescenta
Todos os capítulos do experimento · Antevisão · Latent Rehearsal
- 00 · Antevisão: um ELLM, um modelo de linguagem que ensaia no latente antes de falar
- 01 · O tokenizador próprio: por que 16 mil tokens servem melhor a este corpus que 50 mil, e o que a tabela inteira mostra
- 02 · Duas arquiteturas, um arquivo: o duelo justo entre 2019 e o que veio depois
- 03 · A geometria do embedding: o treino começa com um espaço perfeito e o estraga
- 04 · A linhagem do colapso: cinco respostas da visão computacional, cada uma medida em texto
- 05 · O leme e o modelo de mundo: três versões da mesma pergunta, medidas contra a anterior
- 06 · Método e erros: as regras de uma comparação legítima e o catálogo dos nossos enganos
- 07 · Escala e orçamento: quanto custa chegar ao GPT-3, e por que a VRAM quase nunca é o limite
- 08 · A bancada: servir, radiografar e treinar pelo navegador
- 09 · A arquitetura hierárquica: o projeto inteiro alinhado aos quatro padrões do modelo de mundo
- 10 · O que a JEPA é, segundo LeCun: duas falas lidas conceito por conceito, e onde cada um se aplica
- 11 · Memória e horizonte: duas afirmações de LeCun que viraram experimento, e as duas valem para texto
- 12 · Custos aprendidos e modos de inferência: as três buscas e as duas fontes de energia, medidas
- 13 · As correções pelas falas de LeCun: falha, trecho, flag, medida
- 14 · Memória consultada: um banco de estados abstratos lido por atenção
- 15 · O que custa e o que entrega: nós, o GPT-1 e o GPT-2 na única régua que vale entre tokenizadores
- 16 · O mínimo estava fora da lista: o dia em que medi a minha própria busca por energia
- 17 · ELLM: o nome certo para um modelo de linguagem que prevê no latente e decide por energia
- 18 · Procurar melhor não conserta a energia: três buscas, o mesmo texto
- 19 · A inversão que não se repetiu: o custo do modelo de mundo aparece quando a régua para de oscilar
- 20 · O que mudou em 17/09: dois capítulos novos e duas correções

Escreve o curso do GPT-2 e conduz o experimento Antevisão, medindo cada rodada antes de publicar o número. Os posts no LinkedIn começam aqui e terminam nas apostilas.
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