Rafhael Oliveira · IA

A inversão que não se repetiu: o custo do modelo de mundo aparece quando a régua para de oscilar

O capítulo 15 registrou que, com dados suficientes, o modelo de mundo passava a render 3,38%. Era uma semente. Com mais sementes e com a validação fixa, ele custa em todas as rodadas — e o custo cresce com o tamanho.

1 min de leitura· apostila: 10 min

Caiu aqui pelo LinkedIn? Este é o capítulo 19 do experimento Antevisão · Latent Rehearsal. Dá para ler solto; se quiser o começo, é o capítulo 00.

Escrevi num capítulo que o meu modelo de mundo deixava o gerador 3,38% melhor. Com mais sementes e uma régua consertada, ele custa. O resultado era de uma rodada só: o gerador sozinho a 3,7503 de perda, com o modelo de mundo a 3,6236. Com as sementes 2 e 3, o mapa voltou a custar. E ao investigar por quê, achei o problema na régua: a cada avaliação o treino sorteava uma amostra nova da validação, e o mesmo modelo quase pronto marcava 3,576 num passo e 3,719 no fim — uma oscilação maior que o efeito que eu media. Fixei os lotes de validação e refiz o par inteiro: três sementes do mini e duas do pequeno. Com a régua limpa, o desvio entre sementes caiu de 2,5% para 0,87% da perda, e o custo do modelo de mundo apareceu em todas as rodadas: +1,77% no mini, +4,92% no pequeno.

Os três pontos

  1. Com as sementes 2 e 3, o modelo de mundo volta a custar. O −3,38% saiu de uma semente favorável, num protocolo em que a validação sorteada oscilava mais que o próprio efeito: 3,576 num passo, 3,719 no fim do mesmo treino.
  2. Com os lotes de validação fixos, o desvio entre sementes cai de 2,5% para 0,87% da perda no mini, e para quase zero no pequeno. Quase todo o ruído vinha do sorteio da amostra, não da inicialização.
  3. Com a régua limpa, o custo aparece nas cinco comparações: +1,77% no mini (3 sementes) e +4,92% no pequeno (2 sementes). Mais orçamento não inverte o sinal; o custo cresce com o tamanho do modelo.

Da apostila, o começo

A apostila 15 registrou que, com dados suficientes, o modelo de mundo deixava de custar ao gerador e passava a render 3,38%. Era uma semente só. Com mais sementes, e depois com uma medida de validação que parou de oscilar, o custo aparece em todas as rodadas — e cresce com o tamanho do modelo.

A apostila 15 treinou o mini no corpus inteiro, com o orçamento de Chinchilla (1.961 passos, 64 milhões de tokens), de duas formas: só o gerador, e o gerador com o modelo de mundo hierárquico de alvo EMA — a receita que tinha ido melhor na apostila 13. O gerador sozinho chegou a 3,7503 de perda de validação; com o modelo de mundo, a 3,6236. Isso é 3,38% melhor, e a apostila leu o resultado como uma inversão: no treino curto da coleção o mapa custava cerca de 1%, e com dados suficientes passaria a render.

A leitura tinha uma explicação razoável — com poucos dados, prever o próximo estado compete com o gerador pela mesma capacidade; com muitos, funciona como regularizador — e combinava com o que se espera de uma arquitetura preditiva. Mas vinha de uma rodada de cada lado, com uma semente só, num regime em que o desvio entre sementes nunca tinha sido medido. A apostila 13 §12.3 mediu esse desvio no duelo: cerca de 0,84% da perda. Na escada, ninguém tinha medido.

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O que a apostila cobre · 7 seções · 10 min
  1. O que estava escrito
  2. Duas rodadas
  3. Três sementes, com a validação sorteada
  4. Por que uma semente enganou
  5. A mesma pergunta, com a régua limpa
  6. O que muda na coleção
  7. Limites desta medida
Todos os capítulos do experimento · Antevisão · Latent Rehearsal
  1. 00 · Antevisão: um ELLM, um modelo de linguagem que ensaia no latente antes de falar
  2. 01 · O tokenizador próprio: por que 16 mil tokens servem melhor a este corpus que 50 mil, e o que a tabela inteira mostra
  3. 02 · Duas arquiteturas, um arquivo: o duelo justo entre 2019 e o que veio depois
  4. 03 · A geometria do embedding: o treino começa com um espaço perfeito e o estraga
  5. 04 · A linhagem do colapso: cinco respostas da visão computacional, cada uma medida em texto
  6. 05 · O leme e o modelo de mundo: três versões da mesma pergunta, medidas contra a anterior
  7. 06 · Método e erros: as regras de uma comparação legítima e o catálogo dos nossos enganos
  8. 07 · Escala e orçamento: quanto custa chegar ao GPT-3, e por que a VRAM quase nunca é o limite
  9. 08 · A bancada: servir, radiografar e treinar pelo navegador
  10. 09 · A arquitetura hierárquica: o projeto inteiro alinhado aos quatro padrões do modelo de mundo
  11. 10 · O que a JEPA é, segundo LeCun: duas falas lidas conceito por conceito, e onde cada um se aplica
  12. 11 · Memória e horizonte: duas afirmações de LeCun que viraram experimento, e as duas valem para texto
  13. 12 · Custos aprendidos e modos de inferência: as três buscas e as duas fontes de energia, medidas
  14. 13 · As correções pelas falas de LeCun: falha, trecho, flag, medida
  15. 14 · Memória consultada: um banco de estados abstratos lido por atenção
  16. 15 · O que custa e o que entrega: nós, o GPT-1 e o GPT-2 na única régua que vale entre tokenizadores
  17. 16 · O mínimo estava fora da lista: o dia em que medi a minha própria busca por energia
  18. 17 · ELLM: o nome certo para um modelo de linguagem que prevê no latente e decide por energia
  19. 18 · Procurar melhor não conserta a energia: três buscas, o mesmo texto
  20. 19 · A inversão que não se repetiu: o custo do modelo de mundo aparece quando a régua para de oscilar
  21. 20 · O que mudou em 17/09: dois capítulos novos e duas correções

Antes disto: o curso do GPT-2

Rafhael Oliveira
Rafhael Oliveira

Escreve o curso do GPT-2 e conduz o experimento Antevisão, medindo cada rodada antes de publicar o número. Os posts no LinkedIn começam aqui e terminam nas apostilas.

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