Antevisão · Latent Rehearsal
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Antevisão
o mapa do projeto

O que estamos construindo, por que ele não é uma cópia do GPT-2, e qual é a contribuição própria deste projeto — com o que já foi medido, inclusive o que deu errado.

Apostila 00 Pré-requisito: o curso GPT-1 · GPT-2

1 O que este projeto é

O curso anterior desmontou modelos que já existiam. Este constrói um. A diferença não é de tamanho — o nosso modelo é menor que qualquer um daqueles. A diferença é que aqui cada decisão foi medida, e várias seguem caminhos que a área encontrou depois de 2019, sobre a base que o GPT-2 deixou.

O que ele constrói tem nome: um ELLM, energy-based latent predictive language model — um modelo de linguagem que prevê no espaço latente e decide por energia. Ele mantém a cabeça de tokens de um modelo de linguagem comum e acrescenta duas peças: um preditor que imagina o próximo estado antes de escrever, e uma energia que escolhe entre esses futuros. A apostila 17 explica cada parte do nome e o que já está medido em cada uma.

O nome diz o que o sistema faz: antever. Um modelo de linguagem comum escolhe o próximo token e descobre depois onde foi parar. O nosso, antes de escolher, imagina onde cada candidato o levaria — no espaço latente, sem decodificar — e escolhe pela energia desse futuro imaginado. A peça que faz isso é um modelo de mundo condicionado à ação: dado o estado atual e um token candidato, prevê o estado seguinte. No código ela se chama mundo; a versão anterior, que só previa a direção sem saber a ação, se chama compass e continua no repositório como controle.

A ideia

Modelos de linguagem preveem símbolos: uma distribuição sobre milhares de tokens, punida por entropia cruzada. A linhagem JEPA, na visão computacional, propôs prever no espaço latente — porque prever pixels obriga o modelo a gastar capacidade com detalhe irrelevante. E a proposta de 2025–2026 (LeJEPA, LeWorldModel) foi além: um modelo de mundo treinado ponta a ponta, sem professor EMA, com um regularizador de gaussianidade impedindo o colapso, e a decisão feita por minimização de energia, não por amostragem.

A Antevisão faz as duas coisas: mantém a previsão de tokens e treina o modelo de mundo sobre os mesmos estados. Na geração, o modelo de mundo imagina cada candidato alguns passos à frente, e a escolha é feita pela energia — plausibilidade mais distância ao rumo que você escreveu. Quando o plano não dá o resultado previsto, o que se corrige é o mapa, não o gerador.

Dois nomes, duas coisas

Antevisão é a estrutura: o arranjo de peças deste repositório — encoder, modelo de mundo, memória, leme, cabeça de tokens. Latent Rehearsal é o conceito que a estrutura realiza: ensaiar no latente antes de falar. Antes de emitir um token, o sistema roda os candidatos alguns passos à frente no espaço latente, mede a energia de cada futuro ensaiado, e só então decide. O token deixa de ser a decisão e passa a ser a saída.

O que é de LeCun e o que é nosso, dito sem rodeio. As ideias de base são dele: a JEPA, prever no latente e não no espaço dos dados, o colapso e como evitá-lo, a inferência por energia, a hierarquia, a memória persistente. Esta coleção lê duas falas dele — a palestra sobre modelos de mundo e a entrevista — e marca as citações como palavra dele.

A aplicação ao texto é a nossa parte. LeCun leva a JEPA para o mundo físico através do vídeo, e trata a linguagem como o caso mais fácil. O Latent Rehearsal testa a mesma ideia no terreno onde os LLMs já funcionam bem: traz a JEPA para o texto e mantém a cabeça autorregressiva, que passa de decisora a decodificador, guardrail e régua comparável (apostila 09, §1). Não é uma disputa entre os dois caminhos; é uma pergunta de engenharia sobre o que acontece quando eles se somam. As apostilas medem a resposta, uma a uma.

Por que isso não é enfeite

Um modelo de linguagem comum só aceita controle por prompt: você escreve o começo e torce. Aqui há um segundo canal, que age sobre cada token, sem tocar no texto — e que pode ser hierárquico: um nível sobre blocos de tokens dá o alvo de curto alcance ao nível dos tokens. As peças são baratas: cada preditor são duas projeções d×d, e todo o modelo de mundo cabe em 7% dos parâmetros.

Se funciona ou não é outra questão — e o projeto inteiro é organizado para responder isso com número, não com impressão. A seção 3 traz o que já está medido, incluindo o que não deu certo.

2 Os três pilares

Cada pilar parte de um limite concreto que medimos no GPT-2 durante o curso anterior — limites de um modelo de 2019, que a área inteira tratou depois, cada um à sua maneira.
#PilarO limite de onde parteApostila
1Tokenizador próprioO BPE do GPT-2 gasta 1,6× mais tokens em português e parte números em pedaços arbitrários01
2Geometria como objetivoO treino cria um cone no espaço de embedding: cosseno médio de 0,00 para 0,3803, 04
3O modelo de mundo e o lemeNão existe canal de controle além do prompt, e o modelo não sabe onde vai parar antes de ir05, 09

Há também um quarto eixo, que não é ideia nova mas é obrigatório: a arquitetura moderna — RoPE, RMSNorm, SwiGLU, sem vieses. Nada disso é invenção nossa; tudo virou padrão depois de 2019. O que é nosso é ter as duas versões no mesmo arquivo, selecionáveis por uma variável, para a comparação ser honesta (apostila 02). E um quinto, que atravessa todos: o método — mesma semente, mesmos dados, sempre o melhor checkpoint, toda métrica com o seu piso (apostila 06).

3 O que já está medido

Todos os números abaixo saíram desta máquina, com scripts que estão no repositório. "Controle" é sempre o mesmo corpus congelado, o mesmo orçamento de 700 passos e a mesma semente; a base de comparação é a rodada com regularizador de cosseno (validação 5,2706; a apostila 13 §12.3 explica por que as tabelas mais novas usam 5,2577). Onde a medida contrariou a expectativa, está marcado.

Resultados fechados até 11/09/2026, depois de 22 rodadas na mesma verba. Uma semente por configuração: o suficiente para decidir o próximo passo, não para afirmar que vale em geral.
MedidaResultadoLeitura
Tokens em português vs GPT-2−47,6%com vocabulário 3× menor; texto acentuado, −73,3%
Tokens em código−12,0%
Tokens em números+58,3%piora deliberada — dígitos separados
bits/caractere em PT
nosso 7,4 M vs gpt2 124 M
2,406
vs 3,139
menos bits que um modelo 17× maior — pelo tokenizador e pelos dados, não pelo tamanho
Duelo de arquiteturas, mesma verba192,8
vs 254,5
PPL: moderna contra GPT-2 fiel
Anisotropia, sem → com regularizador0,38 → 0,049custo: 0,17% de qualidade
Tokens nunca vistos no top-500acaso daria 1,44 — hipótese não confirmada
SigReg (LeJEPA 2025) no lugar do cosseno245,0
vs 244,8
posto efetivo — não comprou nada, e custou +1,51%
VICReg somado ao cosseno253,0
+2,88%
a melhor geometria (decorrelação 0,017) ao maior custo de qualidade
DINO: professor EMA sobre o leme profundo+2,08%o professor lento custou 3 pontos contra o stop-gradient (−0,90%); uma semente
Barlow Twins sobre o leme profundo−0,50%segunda rodada abaixo do controle; dentro do ruído do leme sozinho
Leme raso (prevê o embedding seguinte)0,534
piso 0,46
cosseno com o alvo; ganho real +0,07 sobre copiar o estado (acaso 0,21). Custo +1,41%
Leme profundo (prevê o estado seguinte)−0,90%a única peça que melhorou o gerador: validação 5,2233, PPL 185,55. Uma semente: cautela
Termo aditivo α na geraçãopiorpior que a identidade, pior que uma direção aleatória — condenou a inferência aditiva e motivou a energia
Laço de correção do modelo de mundo0,907 → 0,719razão surpresa/piso num conjunto separado, teste de fumaça (apostila 09)
Modelo de mundo (v3), doze rodadascos 0,93
vs 0,58
o mapa prevê o estado seguinte e entende sequência (frase invertida: erro +32%, identidade −3%). Ponta a ponta com peso 1,0 custa +9,59% ao gerador; stop-grad +1,11%; em dois estágios sobre o encoder DINO, custo zero (apostila 05)
O leme governa13 de 13cabeça de custo aprendida com dez frases + custo no estado real + γ = 0,1: mais rumo pelo juiz independente em onze dos doze mapas da fila (apostila 12); o décimo segundo, o da memória, passou a governar com memória-dropout (apostila 13)
A abstração prevê mais longe5 de 5o nível 2 num passo erra menos que o nível 1 rolado oito vezes, em todo modelo hierárquico sem colapso (apostila 11)
Memória persistente+0,019a memória que atravessou uma janela inteira vale tanto quanto a recente (apostila 11)
Dois colapsos pegos e corrigidos33× → 1,5×o ζ que vazava o alvo (ζ-dropout fechou o canal) e o encoder de nível 2 que encolheu 13× (gaussianizar custou +11,32%; fixar só a escala colapsou a direção — o encoder de nível 2 aprendido fica em aberto, a média crua é a abstração honesta)
Sete dessas linhas são resultados negativos

O SigReg não melhorou nada, o VICReg custou 2,88%, o professor EMA do DINO custou 2,08%, o leme raso custa 1,41% por um ganho de 0,07, o termo aditivo piora a geração, e o modelo de mundo ponta a ponta custou até 9,59% ao gerador. Estão na tabela principal, com o mesmo destaque dos resultados positivos, porque um resultado negativo informa tanto quanto um positivo, e omiti-lo distorceria a leitura do conjunto. A linha do leme raso já foi publicada errada uma vez, como "0,534 contra ~0,00 do acaso"; o piso de identidade é 0,46. A apostila 06 conta esse erro e os outros dez.

4 O mapa das apostilas

A ordem é de dependência, não de importância. A 03 e a 09 são o coração técnico. As 05, 11 e 12 estão preenchidas com as 22 rodadas da fila; nenhuma célula foi preenchida de cabeça.
#ApostilaResponde
00Mapa do projetoo que estamos construindo e por quê
01O tokenizador própriopor que 16k serve melhor a este corpus que 50k, e o preço dos dígitos separados
02Duas arquiteturas, um arquivoRoPE, RMSNorm, SwiGLU — e o duelo medido
03A geometria do embeddinganisotropia, posto efetivo, decorrelação: os instrumentos
04A linhagem do colapsoBarlow Twins → VICReg → JEPA → DINO → SigReg, cada elo medido no nosso: dois ajudaram, três custaram
05O leme e o modelo de mundoas três versões medidas; as células do modelo de mundo esperam a fila
06Método e erroscomo medimos, e os enganos que o método pegou
07Escala e orçamentoChinchilla, VRAM, e o que US$ 5 compram
08A bancadaservir, radiografar e treinar pelo navegador
09A arquitetura hierárquicao projeto alinhado ao modelo de mundo: energia, MPC, hierarquia, correção
10O que a JEPA é, segundo LeCunas duas transcrições lidas conceito por conceito, com o arquivo onde cada um se aplica
11Memória e horizontememória persistente e "a abstração prevê mais longe": método pronto, números na fila
12Custos aprendidos e modos de inferênciacabeças de custo, guardrails, os quatro modos e o juiz independente
13As correções pelas falas de LeCunas quatro falhas da fila levadas de volta ao texto de LeCun: memória-dropout, VICReg no nível 2, alvo EMA, cabeça mista
14Memória consultadabanco de estados abstratos lido por atenção, persistido em disco pelo turbovec (TurboQuant a 4 bits): a memória que sobrevive à sessão
15O que custa e o que entregaa comparação para fora: bits por caractere contra o GPT‑1 e o GPT‑2, por domínio, com o preço de cada treino em dólares e o limite que o corpus impõe ao tamanho
16O mínimo e o volumeas duas afirmações da palestra sobre energia, medidas: a busca por energia acha o mínimo, e quanto do espaço consegue energia baixa
17O que é um ELLMo nome da classe de modelo que a Antevisão constrói: cada parte de energy-based latent predictive language model, com a medida que a sustenta
18Procurar melhor não conserta a energiaa busca exata no vocabulário e no núcleo da política, medida no texto: as três buscas caem no mesmo ponto; o que decide é a energia
19A inversão que não se repetiutrês sementes na escada: o modelo de mundo custa cerca de 1% ao gerador, e não rende 3,38%; a validação sorteada oscila mais que o efeito; com lotes fixos o custo é +1,77% no mini e +4,92% no pequeno
20O que mudou em 17/09nota de atualização: os capítulos novos, as correções, o que mudou no código e o que ficou aberto

5 Como reproduzir, do zero

# 1) corpus — português + inglês + código, por streaming
.venv\Scripts\python.exe model\data\build_corpus.py --mb 1000

# 2) o tokenizador próprio
.venv\Scripts\python.exe model\tokenizer\train.py --vocab 16384

# 3) empacota em tokens uint16 (memmap)
.venv\Scripts\python.exe model\prepare_data.py

# 4) treina — retoma sozinho se interromper com Ctrl+C
.venv\Scripts\python.exe model\train.py --size mini --modern --steps 5000

# 4b) o mesmo, com o modelo de mundo hierárquico
.venv\Scripts\python.exe model\train.py --size mini --modern --world 1 --world-levels 2 --sigreg-z 1

# 5) o relatório: todas as rodadas, todas as medidas
.venv\Scripts\python.exe model\report.py

O passo 4 aceita as chaves de cada ideia da linhagem: --reg-cos, --sigreg, --vicreg, --barlow, --dino, --latent, e as do modelo de mundo, --world, --sigreg-z, --world-latent, --world-enc2. Todas desligáveis, todas comparáveis entre si, porque o nome da pasta de saída carrega a configuração.

Analogia

Pense num laboratório de química com um caderno de bancada. Cada frasco tem o rótulo do que foi misturado nele — não "experimento 7", mas "cosseno 1,0 + leme profundo". Quando alguém pergunta seis meses depois por que aquele frasco ficou roxo, a resposta está no rótulo, não na memória de quem misturou.

É por isso que mini-moderno-reg1-wm1n2-sz1-duelo é feio e é certo.

6 O que este projeto não é

Vale dizer, porque a expectativa errada estraga a leitura.

  1. Não é um assistente. É um modelo base, que continua texto. Com 7,4 milhões de parâmetros ele escreve português reconhecível e nenhum fato verdadeiro.
  2. Não compete com nada. O GPT-2 viu ~10 bilhões de tokens; nós vimos 5,7 milhões no primeiro ciclo. Onde vamos melhor (português), a vantagem vem do tokenizador e dos dados, não do tamanho — e dizemos isso toda vez.
  3. Não é pesquisa publicável. Uma rodada por configuração, uma semente, um tamanho. Serve para decidir o que fazer a seguir; não serve para afirmar que uma técnica funciona em geral. O −0,90% do leme profundo precisa de mais sementes antes de virar afirmação.
  4. Não abandonou o gerador. A cabeça de tokens continua, como decodificador, guardrail e régua comparável (apostila 09, §1). O que muda é o papel dela: de decisão para um dos termos da energia.
  5. Não termina. A apostila 07 mostra que o degrau seguinte — escala do GPT-3 Small — custa menos de oito horas de uma única GPU alugada. O que falta não é tempo de placa: é corpus.
Perguntas em aberto

A apostila 01 começa onde o modelo começa: transformando texto em números —
e mostrando por que a escolha do GPT-2 custa caro em qualquer língua que não seja inglês.