Rafhael Oliveira · IA

Embeddings: de um inteiro sem sentido a um vetor que sabe que rei e rainha são parentes

A tabela de consulta onde o significado nasce, e a amarração que a liga à saída do modelo.

1 min de leitura· apostila: 9 min

Caiu aqui pelo LinkedIn? Este é o capítulo 02 do curso GPT-1 e GPT-2, desmontados. Dá para ler solto; se quiser o começo, é o capítulo 00.

Para o modelo, gato é 4899 e cachorro é 5257. Alimentar isso numa rede neural é um erro conceitual grave. Esses números são etiquetas de armário, não medidas. O armário 5257 não é maior nem mais quente que o 4899. Mas uma rede neural só sabe fazer aritmética: se recebe os dois inteiros, vai calcular diferenças e médias e extrair relações que não existem. A solução foi dar coordenadas às palavras. 768 coordenadas, no caso do GPT-2 small. E é nesse espaço que 'rei' e 'rainha' viram parentes.

Os três pontos

  1. A matriz de embedding é uma tabela: linha 4899 é o vetor de gato. Ela é aprendida junto com o resto.
  2. Existe um segundo embedding, o de posição, porque a atenção sozinha não sabe a ordem das palavras.
  3. Weight tying: a mesma matriz que traduz token em vetor traduz vetor de volta em token. Isso economiza 38 milhões de parâmetros no GPT-2 small.

Da apostila, o começo

De um inteiro sem sentido a um vetor de 768 números que sabe que "rei" e "rainha" são parentes.

Saímos da apostila 01 com uma lista de inteiros. Digamos que gato = 4899 e cachorro = 5257. Esses números são etiquetas de armário, não medidas. O armário 5257 não é "maior" nem "mais quente" que o 4899. Se o vocabulário fosse embaralhado, gato seria 12 e cachorro seria 40 001, e nada mudaria.

Mas uma rede neural só sabe fazer aritmética. Se ela recebe 4899 e 5257, ela vai inevitavelmente calcular diferenças, médias, produtos — e vai extrair relações que não existem. Alimentar IDs crus numa rede é um erro conceitual grave.

O jeito clássico de dizer "esta é a categoria 4899, e as categorias não têm ordem" é o vetor one-hot: um vetor de 50 257 posições, todas zero, exceto um 1 na posição 4899.

Continuar lendo a apostila 02 →Read in EnglishOs PDFs por e-mail →
O que a apostila cobre · 8 seções · 9 min
  1. O problema: inteiros não têm significado
  2. A ideia: dar coordenadas às palavras
  3. Na prática: a matriz é uma tabela de consulta
  4. O segundo embedding: posição
  5. Juntando: a entrada real do modelo
  6. A amarração final: weight tying
  7. O código
  8. No laboratório
Todos os capítulos do curso · GPT-1 e GPT-2, desmontados
  1. 00 · Os sete fósseis: por que GPT-1, GPT-2 e RoBERTa são um corte histórico, não uma lista
  2. Glossário · Glossário do curso: o que token, camada e modelo querem dizer em IA, e no resto da TI
  3. 01 · Por que o GPT-2 não enxerga letras nem palavras, e o que isso custa em português
  4. 02 · Embeddings: de um inteiro sem sentido a um vetor que sabe que rei e rainha são parentes
  5. 03 · Atenção: a única operação que substituiu vinte anos de redes recorrentes
  6. 04 · Doze cabeças em vez de uma, e a única linha de código que separa o GPT do RoBERTa
  7. 05 · Por que o GPT-2 precisa de 48 andares para responder, e o que acontece dentro de cada um
  8. 06 · O que a escala realmente compra: de 124 milhões a 1,5 bilhão, medido
  9. 07 · Temperature, top-k e top-p: a decisão que muda mais o texto do que trocar de modelo
  10. 08 · Perplexidade: o único número que diz o que o modelo aprendeu, sem anedotas
  11. 09 · GPT-1 para GPT-2: mesmo tamanho, metade da perplexidade. Quatro decisões explicam
  12. 10 · RoBERTa: quando o avanço é treinar melhor o que já existia
  13. 11 · Encoder vs decoder: uma linha de código e todas as consequências que descem dela
  14. 12 · O detector: como um modelo de linguagem vira classificador, e por que esse não deve decidir nada
  15. 13 · Lendo o código original do GPT-2: 174 linhas contra tudo o que você aprendeu
  16. 14 · Servindo modelos: da chamada de função ao servidor HTTP, e o que a produção faz a mais
  17. 15 · O guia do laboratório: cada comando, cada script, e tudo o que foi medido
  18. 16 · O teto deste caminho: o argumento de LeCun, lido de dentro do GPT-2

Depois disto: o experimento Antevisão

Rafhael Oliveira
Rafhael Oliveira

Escreve o curso do GPT-2 e conduz o experimento Antevisão, medindo cada rodada antes de publicar o número. Os posts no LinkedIn começam aqui e terminam nas apostilas.

Seguir no LinkedIn →