Rafhael Oliveira · IA

Atenção: a única operação que substituiu vinte anos de redes recorrentes

Query, Key e Value, de onde vêm, o que significam, e a implementação em 8 linhas.

1 min de leitura· apostila: 9 min

Caiu aqui pelo LinkedIn? Este é o capítulo 03 do curso GPT-1 e GPT-2, desmontados. Dá para ler solto; se quiser o começo, é o capítulo 00.

"O troféu não coube na mala porque ele era muito grande." Quem é 'ele'? Você respondeu na hora: o troféu. Agora troque uma palavra: '...porque ele era muito pequeno'. Agora 'ele' é a mala. A referência do pronome mudou por causa de um adjetivo sete palavras depois. Vinte anos de redes recorrentes não resolviam isso bem. Uma única operação resolveu, e ela é uma consulta a um banco de dados. Só que, medido no GPT-2, tem um detalhe: a atenção de 'ele' é idêntica nas duas frases. Bit a bit. Diferença exatamente 0,00.

Os três pontos

  1. A analogia central: cada token faz uma consulta (Q) contra as chaves (K) de todos os outros e traz de volta os valores (V). É um banco de dados diferenciável.
  2. A fórmula tem quatro símbolos e cada um tem um motivo. O mais mal explicado é a divisão pela raiz da dimensão.
  3. No laboratório, a atenção de 'it' dá idêntica nas duas frases do troféu. Num modelo causal, o passado não pode ser afetado pelo futuro. Um RoBERTa daria diferente.

Da apostila, o começo

Query, Key e Value — de onde vêm, o que significam, e por que essa única operação substituiu vinte anos de redes recorrentes.

Leia esta frase e responda rápido: "O troféu não coube na mala porque ele era muito grande."

Para processar isso, o modelo precisa que a representação de "ele" seja capaz de buscar informação em qualquer outra posição da frase, escolhendo dinamicamente onde olhar. Não numa posição fixa, não na palavra anterior — em qualquer lugar, dependendo do conteúdo.

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O que a apostila cobre · 7 seções · 9 min
  1. O problema que a atenção resolve
  2. A analogia central: consulta a um banco de dados
  3. De onde vêm Q, K e V
  4. A fórmula, símbolo por símbolo
  5. As dimensões, passo a passo
  6. Implementação do zero — 8 linhas
  7. No laboratório
Todos os capítulos do curso · GPT-1 e GPT-2, desmontados
  1. 00 · Os sete fósseis: por que GPT-1, GPT-2 e RoBERTa são um corte histórico, não uma lista
  2. Glossário · Glossário do curso: o que token, camada e modelo querem dizer em IA, e no resto da TI
  3. 01 · Por que o GPT-2 não enxerga letras nem palavras, e o que isso custa em português
  4. 02 · Embeddings: de um inteiro sem sentido a um vetor que sabe que rei e rainha são parentes
  5. 03 · Atenção: a única operação que substituiu vinte anos de redes recorrentes
  6. 04 · Doze cabeças em vez de uma, e a única linha de código que separa o GPT do RoBERTa
  7. 05 · Por que o GPT-2 precisa de 48 andares para responder, e o que acontece dentro de cada um
  8. 06 · O que a escala realmente compra: de 124 milhões a 1,5 bilhão, medido
  9. 07 · Temperature, top-k e top-p: a decisão que muda mais o texto do que trocar de modelo
  10. 08 · Perplexidade: o único número que diz o que o modelo aprendeu, sem anedotas
  11. 09 · GPT-1 para GPT-2: mesmo tamanho, metade da perplexidade. Quatro decisões explicam
  12. 10 · RoBERTa: quando o avanço é treinar melhor o que já existia
  13. 11 · Encoder vs decoder: uma linha de código e todas as consequências que descem dela
  14. 12 · O detector: como um modelo de linguagem vira classificador, e por que esse não deve decidir nada
  15. 13 · Lendo o código original do GPT-2: 174 linhas contra tudo o que você aprendeu
  16. 14 · Servindo modelos: da chamada de função ao servidor HTTP, e o que a produção faz a mais
  17. 15 · O guia do laboratório: cada comando, cada script, e tudo o que foi medido
  18. 16 · O teto deste caminho: o argumento de LeCun, lido de dentro do GPT-2

Depois disto: o experimento Antevisão

Rafhael Oliveira
Rafhael Oliveira

Escreve o curso do GPT-2 e conduz o experimento Antevisão, medindo cada rodada antes de publicar o número. Os posts no LinkedIn começam aqui e terminam nas apostilas.

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